A Ordem dos Engenheiros tem vindo a público manifestar a sua preocupação com o Litoral Português na imprensa generalista e agora com a revista da Ordem, que faz deste o seu tema de capa. Aqui, um conjunto notável de especialistas nacionais, do mundo universitário e empresarial, discorrem sobre o flagelo da erosão e da bondade das suas soluções para a resolução deste problema. Ao longo dos vários contributos o déficit sedimentar parece ocupar o primeiro lugar no diagnóstico e, ainda que identificados por um dos autores os depósitos sedimentares disponíveis na Figueira da Foz e de Aveiro e por vários o destaque dos benefícios da alimentação artificial, não encontramos qualquer referência directa ao sistema de transferência por bypass - referente comum no contexto global nestas temáticas. Aliás, contrastam as raras referências ao contexto global com a quantidade de elogios à engenharia costeira portuguesa, confundindo-se por vezes se estamos no campo do contributo que pretende informar ou no do panfleto que defende interesses corporativos. Há contributos centrados na oportunidade da mudança de paradigma, mas também oportunismo nos recados ao Grupo de Trabalho do Litoral (GTL) recentemente designado pelo Secretário de Estado do Ambiente para rever a estratégia de gestão das zonas costeiras. Teremos que aguardar pelo resultado da reflexão do GTL para saber se o país vai poder contar com as técnicas conhecidas ou se vai continuar refém dos técnicos conhecidos, ainda que a qualidade e abrangência disciplinar que reconhecemos no grupo liderado pelo professor Filipe Duarte Santos nos deixe optimistas enquanto aguardamos por melhores dias.
quinta-feira, 21 de agosto de 2014
terça-feira, 12 de agosto de 2014
sim Sr. Professor
[...] No passado descurámos completamente as questões de ordenamento. Construímos em zonas dinâmicas e de risco, expusemos novas edificações a riscos que já seriam expectáveis. Por outro lado, a nível portuário – e os portos são vitais em termos económicos para o País –, tivemos sempre uma visão não integrada das infraestruturas. Foram aumentados e construídos quebra-mares, e aprofundados canais de navegação, sempre na perspetiva da melhoria das condições de segurança e de operacionalidade dos portos, mas ignorando, esquecendo ou fechando os olhos àquilo que seriam as consequências dessas infraestruturas a sotamar [...] Essa é uma das principais causas, pois as situações mais críticas estão quase sempre a sul dos portos que têm grandes quebramares e grandes canais de navegação [...] Existiram intervenções recentes em portos em que se dizia que os impactos a sotamar seriam apenas durante um, dois ou três anos e depois seria retomado um equilíbrio dinâmico natural.
Se isso não tinha acontecido em relação a intervenções feitas há 15 ou 20 anos, por que é que agora, numa intervenção ainda mais impactante, deixaria de ter impactos negativos ao fim de dois ou três anos?
Alertei sistematicamente para essas situações e isso foi sistematicamente ignorado [...] Num passado recente, diria até aos anos oitenta, a gestão da zona costeira estava entregue à Direção-geral de Portos, e a sua principal competência tinha a ver com os portos ao longo da costa portuguesa. Estudos e planos muito interessantes que foram realizados nessa altura, do ponto de vista do diagnóstico dos problemas de erosão, ainda hoje são relevantes, mas quanto às propostas de intervenção ignoravam-se completamente as questões de ordenamento do território e as soluções passavam por construir esporões de norte a sul do País [...] E sempre que se diz que o problema está “definitivamente resolvido”, passados alguns anos, afinal, ou porque o mar colocou areias no canal ou porque o porto precisa de ser expandido, ou porque é preciso aumentar as condições de navegabilidade e acesso às embarcações, aumentam-se os quebramares e aprofundam-se canais, como ocorreu recentemente. As consequências na instabilidade a sul da barra são mais visíveis e têm mais impacto nos últimos 40 ou 50 anos. E desde há mais de 30 que andamos a dizer que os problemas a sul de Aveiro estão a agravar-se e vão continuar a agravar-se [...] Foi um erro não se terem assumido e mitigado os impactos negativos a sul de Aveiro. Nem todos os investigadores e técnicos tiveram coragem para denunciar a situação. Fi-lo muitas vezes, e ao longo de muitos anos, em relação à costa a sul de Aveiro e a sul da Figueira da Foz [...]
[...] Os esporões não funcionam se não houver trânsito de areias, as fundações dos paredões começam a ser infraescavadas porque não estão assentes em rocha e entram em processo de instabilidade [...]
sim Sr. Ministro
[...] vamos também pensar em soluções inovadoras que resultem de uma nova avaliação de riscos e de um maior conhecimento sobre sistemas complexos como a costa e o mar. E foi essa a razão pela qual preferimos, antes de avançar imediatamente para a revisão dos POOC, pedir ao Professor Filipe Duarte Santos para, numa comissão multidisciplinar, desenvolver uma revisão da Estratégia Nacional para a Gestão Integrada da Zona Costeira (ENGIZC), de forma a que, a partir dessa Estratégia, possamos iniciar a revisão dos POOC e, a partir desses Planos, definir as novas ações já com novo financiamento europeu. Estamos num momento de charneira [...]
[...] É necessário, sobre o litoral, ter uma abertura de espírito que, de forma prosaica, se poderá traduzir na capacidade de “pensar fora da caixa”. Isto é, nós estamos habituados a concretizar uma série de ações que repetidamente passam por alimentação artificial de praias, proteções dunares, proteções aderentes, todo um conjunto de ações que, em algumas situações, se verificou ineficiente. E eu prefiro assumir, de forma frontal, que a repetição de tipologias de intervenção ao longo destas décadas não atingiu os resultados pretendidos. Logo, é necessário pensar, com todas as competências que existem, e tirando partido de algumas experiências internacionais, em intervenções que protejam a costa mas que protejam também os nossos recursos [...]
[...] O controlo, a mitigação, a adaptação, sem dúvida, mas temos de ter também a humildade de assumir que não é possível artificializar toda a costa. O que estou a dizer tem alguma controvérsia, mas o tema da restrição financeira é relevante. O que temos pela frente nas próximas duas décadas, no que respeita à nossa orla costeira, é tão significativo que não nos podemos dar ao luxo de gastar, por rotina, em tipologias que, por rotina, vamos definindo como as certas [...]
sábado, 9 de agosto de 2014
quinta-feira, 7 de agosto de 2014
quarta-feira, 6 de agosto de 2014
terça-feira, 5 de agosto de 2014
quarta-feira, 30 de julho de 2014
assim morreram os patos
Aparentemente, na Praia da Claridade, não foi o burro que morreu por falta de comer, foram os patos do Oásis por falta de beber. Talvez resistam os tomates que agora crescem no meio do areal, se o javali não voltar para os comer. Não está fácil a vida no deserto...
quinta-feira, 24 de julho de 2014
assim morreu o burro
Aparentemente estão a esconder a praia da claridade com lixo e ervas daninhas com o objectivo de ludibriar a tutela, e como se este disparate não bastasse, ainda vêm a público revelar a estratégia, acreditando que na Agência Portuguesa do Ambiente não haja quem leia jornais. Mais grave é o facto desta deliberada intenção de "perder características de praia" poder resultar na sua derradeira condenação - o burro morreu desta forma, quando finalmente já se tinha habituado a não comer.
domingo, 20 de julho de 2014
quarta-feira, 25 de junho de 2014
quarta-feira, 21 de maio de 2014
terça-feira, 6 de maio de 2014
segunda-feira, 5 de maio de 2014
quarta-feira, 30 de abril de 2014
terça-feira, 22 de abril de 2014
quarta-feira, 16 de abril de 2014
quinta-feira, 10 de abril de 2014
CIADESURF em vídeo on-line 24h x 365 dias...
quarta-feira, 2 de abril de 2014
o mar, a escola e o Infante D. Pedro
No mesmo dia em que o Público noticía o novo mapa de Portugal, A Voz da Figueira notícia a nossa acção na Escola Infante D. Pedro. A conversa com os alunos abriu com a mesma imagem que há longa data ilustra o projecto CIDADESURF e que agora passa a figurar nas paredes de todas as escolas. Se é certo que Portugal é Mar também não temos qualquer dúvida de que a escola que recebeu o nome do verdadeiro percursor dos Descobrimentos Portugueses, foi o lugar certo para esta celebração.
terça-feira, 1 de abril de 2014
quinta-feira, 27 de março de 2014
Agência Portuguesa do Ambiente # POOC 2014
À mesa da Agência Portuguesa do Ambiente debatemos algumas diferenças, agradavelmente surpreendidos com o facto de estarmos a ser ouvidos, menos entusiasmados com a possibilidade de podermos estar a ser mal interpretados...
Na APA com Sérgio Barroso, Ricardo Gameiro, Miguel Figueira, Águeda Silva, Eurico Gonçalves e Fernando Magalhães.
Fotografia de Márcio Oliveira.
Na APA com Sérgio Barroso, Ricardo Gameiro, Miguel Figueira, Águeda Silva, Eurico Gonçalves e Fernando Magalhães.
Fotografia de Márcio Oliveira.
quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014
domingo, 9 de fevereiro de 2014
decretar o absurdo # POOC 2014
O primeiro problema que temos com a definição de um zonamento territorial rígido sobre um sistema dinâmico, como é o caso da orla costeira, é que corremos sérios riscos em estar a decretar o absurdo. A título de exemplo veja-se o caso da praia da Figueira cuja extensão é hoje significativamente superior à definida no Plano de Praia. Se aqui a zona de banhos acaba na prática por estar inscrita onde hoje é areal, na maior parte das praias do sul acontece a situação inversa com a zona das barracas dos concessionários inscritas onde hoje temos mar... Excepção rara no sul é o caso da praia do Hospital cuja zona de banhos foi restringida, dada a circunstância do forte impacto erosivo à data da foto aérea, tendo esta atitude se revelado inoportuna uma vez que a localização do depósito das dragagens pela APA, promoveu a inversão da tendência em favor da sedimentação tornando aquela praia na mais extensa da zona.
Márcio Oliveira, 2014
Plano de Praia, POOC, Cova-Gala
Imediatamente a norte desta, no Cabedelo, onde o POOC classifica como médio estado de conservação da duna, o avanço do mar veio trazer a nú neste inverno, o enrocamento da sua base, de que ninguém tem memória desde há quarenta anos a esta parte. Um avanço de mar que já em anos passados se vinha a verificar e que já obrigou no fim da época balnear ao recuo dos banhistas para cima da duna.
Marcos Charana, 2012
Quem se proponha a fazer a gestão com base nestes Planos de Praia terá que questionar ainda sobre o gasto, supostamente absurdo, na intervenção da duna primária a sul da Costa ou da Leirosa já que o POOC também a classifica com um estado de conservação médio, quando sabemos todos da efectiva gravidade da situação de emergência que temos em mãos. Mais, terá ainda que gerir o despropósito da localização dos apoios de praia no Cabedelo dado que duas das três localizações previstas estão em ameaça permanente da investida do mar. Se os ditos apoios já tivessem sido instalados muito provavelmente ou teriam sido destruídos no início do mês passado, no início deste mês, ou quanto muito, estariam a ser deslocalizados como lamentamos estar a acontecer com a escola de surf que fez a capa de vários jornais locais e cuja localização está mesmo ao lado do apoio de praia previsto.
hegemonia do banhista e a tirania da época balnear # POOC 2014
No que concerne aos usos percebe-se a aposta clara na prática balnear, mas não se compreende a hegemonia desta contra outras possibilidades de uso, no espaço ou no tempo. No mar, os Planos de Praia apenas inscrevem como uso a zona de banhos, o surf nem sequer ocupa lugar na legenda e a arte-xávega apenas se inscreve em terra firme em locais pré-determinados, independentemente das constantes alterações morfológicas que possam ocorrer. Fora destas áreas definidas, frequentemente ao lado dos polígonos assinalados, ficam lugares tradicionais onde sempre se praticaram estes usos ancestrais. Localidades como Mira que, não obstante o manifesto reconhecimento da sua importância e contributo das suas gentes para a arte-xávega, nem sequer um polígono tem inscrito na praia.
Mais grave do que estas discrepâncias na inscrição nos Planos de Praia é a rigidez do polígono que nos preocupa, dado que ao limitar a possibilidade de acompanhar as alterações próprias do sistema costeiro podem ter um desfecho trágico para a arte-xávega: porque empurram a pesca para onde não há peixe ou porque acabam com os pescadores por força da obrigação de entrar para o mar sem praia. Paradoxalmente sabemos que a arte-xávega ou o surf são usos que não só contribuem positivamente para as economias locais, como associadas valorizam o destino turístico e acrescentam valor ao turismo balnear.
www.mymodernmet.com/profiles/blogs/alessandro-puccinelli-a-van-in-the-sea
Reconhecemos o valor da época balnear, mas não nos parece que estamos em condições de negligenciar as oportunidades que todas as possibilidades de uso que os 365 dias do ano podem propiciar. Se a limitação às autocaravanas pode colher argumentos válidos na época balnear, não se percebe a vantagem da persistência da regra durante todo o ano. Conhecidas as fortes diferenças de carga, não podemos deixar de associar a normativa à especificidade de cada circunstância sob pena de maior prejuízo para o desenvolvimento local. Não se percebe porque se negligencia a oportunidade dos parques de estacionamento devolutos fora de época e muito menos a prática dos desportos de ondas ou da arte-xávega, quando não temos banhistas. Não temos dúvidas de que a exclusividade da participação dos concessionários de praia, enquanto grupo de interesse reconhecido na comissão de acompanhamento da revisão deste POOC, tenha resultado numa percepção pouco abrangente do potencial destes territórios, sendo certo que a culpa não é de quem aceitou o contributo destes, mas antes de quem excluiu o contributo de outros.
Mais grave do que estas discrepâncias na inscrição nos Planos de Praia é a rigidez do polígono que nos preocupa, dado que ao limitar a possibilidade de acompanhar as alterações próprias do sistema costeiro podem ter um desfecho trágico para a arte-xávega: porque empurram a pesca para onde não há peixe ou porque acabam com os pescadores por força da obrigação de entrar para o mar sem praia. Paradoxalmente sabemos que a arte-xávega ou o surf são usos que não só contribuem positivamente para as economias locais, como associadas valorizam o destino turístico e acrescentam valor ao turismo balnear.
www.mymodernmet.com/profiles/blogs/alessandro-puccinelli-a-van-in-the-sea
metade da onda # POOC 2014
Não obstante a inscrição da onda mais comprida da Europa no nosso ordenamento jurídico em sede do Plano Estratégico Nacional do Turismo, PENT, registamos com espanto que o POOC não cumpra com a obrigação que lhe compete, por força da boa articulação com este instrumento legal de natureza estratégica, com incidência específica naquele território. Depois de vários anos a insistir nesta questão, do apoio à autarquia e à região de turismo do centro na elevação deste património colectivo e de oportunamente termos disponibilizado à equipe do POOC a informação devidamente geo-referênciada sobre esta matéria, ficamos preplexos com a divisão administrativa que pode correr o risco de estar a impor regras diferentes à mesma onda que em 2013 abre o filme de promoção da cidade na Feira de Turismo de Lisboa.
Na normativa que o POOC propõe, para além da possibilidade de surfar uma onda com uma extensão extraordinária, e do privilégio de a terminar numa área inscrita como com especial aptidão para a pática de desportos de ondas, conforme regulamento do Plano, para a apanhar poderá o mesmo surfista estar a cometer uma ilicitude por interdição ao surf, dada a localização numa praia com um regime distinto - com uso restrito e condicionamento à circulação de meios náuticos... Compreendemos da necessidade do zonamento das praias na zona do cabo, mas não podemos aceitar a transposição directa da normativa para o mar. Neste troço de costa entre a Murtinheira e a Praia da Claridade - correspondendo a toda a área compreendida entre o limite sul da Rede Natura 2000 e o limite norte da área protegida do Monumento Natural do Cabo Mondego - o zonamento proposto para o mar com base na aptidão das praias para a prática balnear resulta, na prática, numa aberração normativa que divide as ondas e a estrutura geológica que as sustenta - o penedo - condicionando de forma grave o surf no seu espaço de maior potencial reconhecido em toda a área do Plano, sem que exista qualquer conflito com a zona de banhos ou com as espécies a proteger ou a conservar.
Na normativa que o POOC propõe, para além da possibilidade de surfar uma onda com uma extensão extraordinária, e do privilégio de a terminar numa área inscrita como com especial aptidão para a pática de desportos de ondas, conforme regulamento do Plano, para a apanhar poderá o mesmo surfista estar a cometer uma ilicitude por interdição ao surf, dada a localização numa praia com um regime distinto - com uso restrito e condicionamento à circulação de meios náuticos... Compreendemos da necessidade do zonamento das praias na zona do cabo, mas não podemos aceitar a transposição directa da normativa para o mar. Neste troço de costa entre a Murtinheira e a Praia da Claridade - correspondendo a toda a área compreendida entre o limite sul da Rede Natura 2000 e o limite norte da área protegida do Monumento Natural do Cabo Mondego - o zonamento proposto para o mar com base na aptidão das praias para a prática balnear resulta, na prática, numa aberração normativa que divide as ondas e a estrutura geológica que as sustenta - o penedo - condicionando de forma grave o surf no seu espaço de maior potencial reconhecido em toda a área do Plano, sem que exista qualquer conflito com a zona de banhos ou com as espécies a proteger ou a conservar.
Mais sorte têm os da Nazaré, porque é mais dificil dividir uma onda na altura do que no comprimento. Se os técnicos do POOC ali tivessem conseguido impor a sua vontade, por coerência, teriam agora que retirar o recorde mundial ao McNamara, alegando a ilegalidade da metade da onda que teriam inscrito como de uso condicionado.
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