quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Discurso do Presidente Júri Prémio Secil Universidades Arquitectura - Arq Miguel Figueira


...2011 será para muitos dos concorrentes desta edição do Prémio Secil Universidades o ano da entrada na profissão. É também o ano em que assistimos à entrada de Portugal em duas listas restritas na cena internacional: a dos países com dois prémios Pritzker e a dos que dependem do FMI. Estas circunstâncias não são fruto da sorte, boa ou má, mas antes o culminar de longos percursos, individuais e colectivos. É nessa dimensão que encontramos motivos para encarar o futuro com optimismo: no primeiro caso, porque sendo certo que é o percurso de autores singulares que é reconhecido, é também afirmativo quanto à qualidade e consistência do percurso da arquitectura portuguesa; no segundo, porque liberta o país do equívoco em que se encontrava, abrindo a possibilidade para se repensar.

Como um personagem dos desenhos animados, há muito que caminhávamos no vazio, ignorando o precipício que nos deveria ter obrigado a suster a marcha e, agora, que nos apercebemos desse facto, caímos... Hoje não estamos equivocados, sabemos bem onde estamos: em queda livre. Acredito porém que o perigo maior, o do equívoco, tenha ficado para trás, sendo que à nossa frente se oferece apenas uma oportunidade: aprender a voar. Esta aprendizagem não é tarefa fácil, sobretudo para quem não tem asas, mas é isto mesmo que esperamos dos novos colegas que estão agora a iniciar os seus percursos profissionais.

As oportunidades agarram-se pela frente, pelo que não vale a pena perder tempo a olhar para trás. Não vão poder contar com os vossos professores, porque a universidade, e todos nós, também estamos em queda livre. Será a necessidade que vos vai ensinar! A necessidade e a urgência da situação exigem o vosso empenho e competência.

Fez-se a mais bela das revoluções, mas, em larga medida, falhou-se a construção do país. Compete-nos agora cumprir este desígnio maior. Este não é um problema da arquitectura, mas será seguramente um problema de todos nós, sendo que, enquanto arquitectos, temos a obrigação de contribuir para este processo de construção colectivo, por imperativo ético e pelo prazer de imaginar a cidade (e a sociedade) que queremos habitar.

Bons voos!

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