terça-feira, 31 de julho de 2012

@ SURFTOTAL TV


cidadesurftotal from Cidade Surf on Vimeo.

domingo, 29 de julho de 2012

Os poucos princípios do POOC

Dos 7 princípios gerais a que a elaboração do POOC deve atender, pelo que conhecemos do trabalho efectuado até à data, suspeitamos que falha redondamente nos três primeiros - alíneas: a) Sustentabilidade; b) Coesão e equidade; c) Prevenção e precaução. Por tudo o que desconhecemos falha nos três seguintes - alíneas: d) Subsidiariedade; e) Participação; f) Corresponsabilização. Talvez venham a ser acertivos na operacionalidade (alínea g) para a construção de paredões pela costa fora...



Princípios a observar pelos POOC, Artigo 5, Decreto-Lei 159/2012 de 24 de Julho.
a) Sustentabilidade e solidariedade intergeracional, promovendo a compatibilização, no território abrangido pelo plano, entre o desenvolvimento socioeconómico e a conservação da natureza, da biodiversidade e da geodiversidade, num quadro de qualidade de vida das populações atuais e vindouras;
b) Coesão e equidade, assegurando o equilíbrio social e territorial e uma distribuição equilibrada dos recursos e das oportunidades;
c) Prevenção e precaução, prevendo e antecipando consequências e adotando uma atitude cautelar, minimizando riscos e impactos negativos;
d) Subsidiariedade, coordenando os procedimentos dos diversos níveis da Administração Pública e dos níveis e especificidades regionais e locais, de forma a privilegiar o nível decisório mais próximo do cidadão;
e) Participação, potenciando o ativo envolvimento do público, das instituições e dos agentes locais, através do acesso à informação e à intervenção nos procedimentos de elaboração, execução, avaliação e revisão dos POOC;
f) Corresponsabilização, envolvendo a partilha da responsabilidade com a comunidade, os agentes económicos, os cidadãos e associações representativas nas opções de gestão da área do plano;
g) Operacionalidade, criando mecanismos legais, institucionais, financeiros e programáticos eficazes e eficientes, capazes de garantir a realização dos objetivos e das respetivas intervenções.

quinta-feira, 26 de julho de 2012

POOC, floresta e Financial Times

O Caderno de Encargos para a revisão do POOC-OMG obriga à “formulação de diferentes cenários de proteção e desenvolvimento, tendo por base os valores presentes na área de incidência do plano e as oportunidades e riscos identificados”. Uma vez que a Área de Estudo e a Área de Intervenção incluem a Zona Marítima de Proteção (conforme quadro do site POOC-OMG), não se compreende a ponderação sobre o mar e o conjunto de oportunidades a ele associadas na Avaliação de Cenários / Implicação dos Cenários nos Ecossistemas.



No quadro comparativo dos cenários de intervenção para Buarcos ( quadro 14. Implicações do tipo de abordagem à defesa costeira, adoptada em cada cenário, na capacidade dos ecossistemas prestarem a determinados serviços), da Zona Marítima de Proteção apenas analisam as Águas interiores, e aqui nem sequer entra o Recreio e Lazer ou o Turismo, apesar destes estarem devidamente ponderados no mesmo quadro no campo 3.1 Florestas, 3.2 Florestas abertas e vegetação herbácea, 3.3 Zonas descobertas e com pouca vegetação...
( o Cenário 3 é o dos quebra-mares paralelos à costa )

De tal forma densa deve ser a floresta entre a Tamargueira e o Teimoso, que ninguém viu a pesca nos carreiros de rocha, a qualidade da praia para banhos, e o surf na direita mais longa da Europa. Talvez os técnicos do POOC leiam o Financial Times e fiquem a saber pela imprensa estrangeira aquilo que teimam em não querer ouvir da nossa boca.



segunda-feira, 16 de julho de 2012

S.O.S. POOC

Cenário 3 - Construção de quebra-mares destacados ao largo da Tamargueira.
Da análise da ficha nº 5 percebe-se que não se trata da Tamargueira mas antes do Costa, Pedra Grande e Teimoso (quadro 6 - fotomontagem). Também não temos dúvidas acerca dos 4 metros de altura dos quebra-mares (quadro 3), já quanto à cota -5 (quadro 3) ficamos sem perceber se pretendem cortar as rochas para lá colocar os quebra-mares ou se estes se elevam a partir das mesmas. Certa é a evidência do desconhecimento do local e das suas particularidades, patente não no só no erro da localização como também na ausência de informação relativa a Implicações sobre os Ecossistemas (quadro 6). Imerso ou emerso o resultado destes sistemas paralelos à costa é o da formação de um tômbolo de areia que, no caso de Buarcos, iria soterrar as rochas, atentando de forma grave contra as estruturas naturais que servem de base à cadeia alimentar nesta parte da nossa costa. 
Certa é também a ausência de informação sobre o mar no impacto sobre a capacidade de os ecossistemas prestarem determinados serviços (quadro 14). Certo é ainda o agravamento da despesa (cerca de 50 Milhões de euros) com molhes e quebra-mares para a sul do Mondego, com a fundamentação da diminuição do volume de areia no mar, quando a norte temos um dos maiores depósitos de areia da nossa costa: a Praia da Claridade. Certo é que a proposta de transferência de areia por Bypass, apesar de premiada em concurso público para contributos ao POOC, não foi considerada... Estará isto certo?




Docs POOC: Ficha nº5 e Quadro 14.
Clique nas imagens para ampliar.

Guest Post by Daniela Araújo; O MAR À CIDADE

Imagine que lhe propõem ir fazer férias para uma cidade que tem uma praia com um areal tão extenso que precisa de percorrer mais de um quilómetro até chegar à beira de água, mas onde dificilmente conseguirá tomar banho devido à rebentação. Imagine que há, nas imediações da primeira, mais duas praias que pode utilizar. Uma, onde terá dificuldade em estender a toalha de banho, pois as ondas chegam bem perto do lugar onde deixou o seu carro estacionado, fica mesmo ali ao lado. Na outra, mais distante, pode tomar banho mas, se quiser fazer surf, aproveite que estão a matar as ondas. Não vai, pois não? Bem vindo à Figueira da Foz, a minha cidade.
A geração dos anos 70 cresceu com uma praia já suficientemente extensa, mas onde ainda se conseguia ir a banhos e com a memória, repetida pelos pais e avós, de uma cidade voltada para o mar que acolhia turistas nacionais e estrangeiros encantados com as areias e as águas da Praia da Claridade e, certamente, com a natureza exuberante da Serra da Boa Viagem.
Da Serra da Boa Viagem, desgastada pelos muitos incêndios e por atuações vergonhosas de sucessivos executivos camarários que, permitindo construções nas encostas, conduziram à sua descaracterização, falarei numa outra ocasião.
Figueira da Foz, Buarcos e Cabedelo. Três praias que, por razões diversas, terão poucas possibilidades de voltar a ser os bilhetes postais desta cidade se, nas soluções do futuro, se repetirem as asneiras do passado.
Todos os dias, pelas 7h30 da manhã, percorro parte da Avenida 25 de abril e, todos os dias, olho para um areal salpicado de equipamentos desportivos que, como refere o Miguel Figueira, vencedor do Movimento Milenium com o projeto Cidade Surf, deveriam ter sido colocados no lugar certo, o parque das Abadias. Só foram instalados na praia para encher uma vastidão difícil de preencher.
O mar vê-se ao longe mas, baixando os olhos, mesmo ali junto ao passeio, estão as tampas do sistema de esgotos para nos darem as boas vindas ao areal. São a antecâmara de uma praia que perdeu a alma. 
Os postais dos anos 40, 50 e 60 mostram uma praia repleta de veraneantes com as águas, calmas, muito mais próximas da Torre do Relógio e da Esplanada. Então, podia-se ir a banhos e não era preciso pertencer aos Navy Seals para conseguir entrar, nadar e voltar a sair do mar. Se a ideia é fazer com que a praia da Figueira da Foz seja um elemento central na oferta turística desta cidade, os caminhos traçados não têm sido os mais inteligentes.
E não basta recuar às décadas de 40, 50 e 60 para perceber a importância da cidade como estância turística. No último quartel do século XIX, como bem atestam as fotografias que o Jorge Dias tem vindo a recolher, a Figueira da Foz tinha uma enorme relevância marítima e fluvial.
A acumulação de areias na praia da Figueira, provocada pelo prolongamento do molhe norte do rio Mondego tem, no Cabedelo, o efeito contrário: o recuo da praia e o fim das ondas que possibilitam a prática do surf.
O Movimento SOSCabedelo tem vindo a sensibilizar a opinião pública para o impacto da deriva das areias na praia do Cabedelo que resultará no fim das ondas que atraem os surfistas à Figueira da Foz e colocará a cidade fora do circuito mundial do surf. Nem é preciso falar das perdas em termos de receitas para os operadores turísticos da região se tal vier a suceder.
A solução poderá passar pela colocação de um Bypass sob o Mondego que permitiria levar a areia de Norte, onde se acumula em excesso, para o sul, onde vai escasseando.
E depois há Buarcos. E os pescadores. E o riquíssimo capital cultural que aquela comunidade armazena e que tem sido incompreensivelmente negligenciado pelo poder local. Com a construção dos paredões de cimento paralelos à costa, com 150 metros, proposta do Plano de Ordenamento da Orla Costeira (POOC), haverá, inevitavelmente, acumulação de areias na zona e as rochas irão ficar soterradas. As mesmas rochas que servem de habitat para muitas espécies cuja apanha constitui, ainda, modo de vida para as gentes de Buarcos.
Nessa fronteira, que é a orla costeira, onde a terra e o mar se encontram, nessa fronteira fluida, feita de recuos e de avanços, exercitam-se práticas ancestrais, gerem-se saberes, adquirem-se competências, rompem-se os limites da legalidade e reproduz-se, ativamente, a herança cultural de uma comunidade. E só faz sentido olhar para esta fronteira de forma integrada, considerando-se que, para além das areias e dos turistas, a solução passa, sobretudo, por escutar os de cá. A começar pelos que vivem do mar e que atravessam essa fronteira diariamente.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

@ Voz da Figueira


sexta-feira, 6 de julho de 2012

O MAR À CIDADE @Esplanada do mar - Hotel Tamargueira

foto ASFF   
     

POOC 2012

Há alguns meses atrás foi-nos dada a oportunidade de participar nogrupo de trabalho para o Plano de Ordenamento da Orla Costeira (POOC) Ovar- Marinha Grande, bem como no do Plano Estratégico da Figueira da Foz. Em ambos os casos defendemos o mar e a deriva litoral, esclarecendo sempre que esse era, e é, o foco das nossas preocupações.
Hoje sabemos que estivemos a falar para o boneco e confirmamos com desalento que para os técnicos a orla costeira se desenvolve com apoios de praias e duches... 
A convicção desta gente é de tal forma vincada que propõem agora paredões com 4m de altura paralelos à costa para proteger os ditos apoios da ameaça permanente do mar, que teimam em não querer conhecer. 
Para Buarcos avançam com a possibilidade da construção de três paredões com 150m, no Costa, na Pedra Grande e no Teimoso, com um valor global de 13 500 000 euros. Para o sul do Mondego temos ainda cerca de 50 000 000 euros para betão entre espigões e outros tantos paredões paralelos à costa, com a justificação da falta de areia. 
Na proposta premiada que submetemos ao Concurso de Ideias para a Praia, promovido pela CMFF para contributos ao POOC, reiterámos o BYPASS sob o Mondego como solução alternativa para a reposição da deriva litoral que iria minimizar o impacto da erosão. 
Insistimos com o representante do POOC para honrarem ocompromisso da inclusão da possibilidade do BYPASS no âmbito das propostas agora em discussão.
Sabemos agora que a nossa proposta, pela sua natureza, dificilmente poderá competir com a ambiçao de forrar a frente de mar com betão.
Viva o desenvolvimento!