quinta-feira, 21 de agosto de 2014

think global, act local

A Ordem dos Engenheiros tem vindo a público manifestar a sua preocupação com o Litoral Português na imprensa generalista e agora com a revista da Ordem, que faz deste o seu tema de capa. Aqui, um conjunto notável de especialistas nacionais, do mundo universitário e empresarial, discorrem sobre o flagelo da erosão e da bondade das suas soluções para a resolução deste problema. Ao longo dos vários contributos o déficit sedimentar parece ocupar o primeiro lugar no diagnóstico e, ainda que identificados por um dos autores os depósitos sedimentares disponíveis na Figueira da Foz e de Aveiro e por vários o destaque dos benefícios da alimentação artificial, não encontramos qualquer referência directa ao sistema de transferência por bypass - referente comum no contexto global nestas temáticas. Aliás, contrastam as raras referências ao contexto global com a quantidade de elogios à engenharia costeira portuguesa, confundindo-se por vezes se estamos no campo do contributo que pretende informar ou no do panfleto que defende interesses corporativos. Há contributos centrados na oportunidade da mudança de paradigma, mas também oportunismo nos recados ao Grupo de Trabalho do Litoral (GTL) recentemente designado pelo Secretário de Estado do Ambiente para rever a estratégia de gestão das zonas costeiras. Teremos que aguardar pelo resultado da reflexão do GTL para saber se o país vai poder contar com as técnicas conhecidas ou se vai continuar refém dos técnicos conhecidos, ainda que a qualidade e abrangência disciplinar que reconhecemos no grupo liderado pelo professor Filipe Duarte Santos nos deixe optimistas enquanto aguardamos por melhores dias.

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